TEGUCIGALPA (Reuters) – Deputados brasileiros em Honduras tentarão na quinta-feira ajudar na busca de uma saída para a crise política e evitar uma eventual invasão da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde está refugiado o presidente deposto Manuel Zelaya. A missão de seis deputados de diferentes partidos planeja visitar a sede diplomática brasileira, que está cercada por militares e policiais por ordem do governo de facto. Zelaya encontra-se ali desde que voltou ao país clandestinamente, há dez dias, para reivindicar o poder.
A comissão, composta pelos deputados Raul Jungman (PPS-PE), Ivan Valente (PSOL-SP), Janete Rocha Pietá (PT-SP), Claudio Cajado (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Maurício Rands (PT-PE), chegou na quarta-feira à noite, ao mesmo tempo em que o presidente de facto, Roberto Micheletti, abrandava as ameaças contra a embaixada do Brasil.Em uma entrevista à Reuters, Micheletti disse que não tomaria “medidas adicionais” uma vez cumprido um ultimato de dez dias ao Brasil para que o país decida se concede asilo a Zelaya ou o entrega à Justiça.
“A delegação do Congresso brasileiro busca contribuir para assegurar a preservação da missão diplomática de nosso país em Honduras,” disse à Reuters Maurício Rands. “Esperamos contribuir para o diálogo no país, para que ambas as partes em Honduras dialoguem e encontrem uma solução que permita o retorno à normalidade”, acrescentou.
Rands disse que a presença do grupoem Honduras, autorizada pelo Parlamento do país da América Central, era um sinal positivo.
“Definitivamente é um sinal de que ambas as partes agora entendem que devem falar entre si”, afirmou.
Um enviado da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou na quarta-feira que delegações de Zelaya e de Micheletti poderiam travar um diálogo quando uma missão de chanceleres da organização chegar a Tegucigalpa no dia 7 de outubro.A visita dos parlamentares ocorre também em meio a fortes pressões dentro e fora do país para que o governo de facto revogue uma suspensão por 45 dias da liberdade de imprensa,
de associação e de circulação instaurada no domingo. Sob o decreto, as forças de segurança têm dissolvido manifestações de simpatizantes de Zelaya e silenciaram os meios de comunicação leais ao presidente deposto.
Micheletti disse que se reuniria na quinta-feira com a Corte Suprema de Justiça para analisar os pedidos de vários setores para revogar a polêmica medida. Zelaya foi expulso de Honduras há cerca de três meses por um golpe de Estado apoiado pelas Forças Armadas, pelo Congresso e pela Igreja, deflagrado pelas aspirações do então mandatário de tentar modificar a Constituição a fim de permitir a reeleição presidencial.
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